domingo, 7 de abril de 2013

Festa


Sai desse coma insone, deita a cabeça no peito
Come o que resta de fome, dorme que o dia acabou
E não há mais pressa em nublar esse céu da cabeça
Ou dor que consuma os remédios que restam
Sorve essa festa onde o amor te levou.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Frame

Uma espécie de peça se soltou daqui
E agora se encontra retida num frame
Que é parte da cena em um dia perdida
Imperceptível na sua existência
Contudo infinita na sua extensão.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Febre


Eu podia viajar, mas não tenho como sair 
Ou senão pelo menos voltar pra casa, esse ônibus que não para de dar voltas
Tenho água impregnada em meu casaco, 
Librina que me proibiram de tomar por precaução
E os passos nas poças do asfalto distorcendo minha visão
Da luz laranjada lá no alto
Quando tudo que ouço não é senão 'se desprenda de tudo'
E mantenha os pés firmes no chão
Com sorte essa febre talvez passe até o fim desse filme
Porque nela já enxergo um fundo de catarse, não existe febre
Que não seja no fundo uma fase
Que mascare o perfume impregnado nas mãos

Com sorte, talvez não seja preciso sorte.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vertigem


A folha que eclipsa o sol
Invade o que pode parecer uma fixação
Das pedras que raspam a água em passos lerdos
Tempo em que as ideias nem sequer rompiam as pontes do cérebro
Embora drogado consumo essa dose de lucidez que explode
E enxarca minhas mãos a cada pulsar e tenta expulsar
Minh'alma de um paraíso distante ao qual apontava de longe
As milhares de estátuas de bronze, meu corpo jazia insone
E retirava a areia dos olhos o amor que nunca teve nome
Curava dos delírios infantis
Um passeio no meio da multidão até esquecer onde moro
Os efeitos do álcool e altura das horas repousar um sonho
Que defenestra os encantos e de tanto falar eu perdi o ponto
E perdi o caminho e o sono
E a vontade de saber a verdade e a medida das coisas
O desenho das nuvens e ventos e hoje as ideias rasgam o peito
Com nada mais que um sopro no ouvido e hoje as palavras se cruzam
Na minha vertigem sem queda, o diálogo sem sentido
A torrente que me faz durar.

domingo, 8 de julho de 2012

Domingo


I
A nossa estrela sumiu e não há mais onde ao qual revisitar
Lamentavelmente num suspiro idêntico ao primeiro
O mundo em que nos refugiávamos num dia
Não existe mais senão em memórias curtas
E desenhos confinados em molduras frias
Devaneios sem sequer perspectiva
O inverno inventado, e ainda me aqueço no frio dessa noite
Com nada mais que os sedimentos trazidos com os dias..


No meio do sono desperto sob camadas de tinta
Envolto num ontem que jamais amanheceu embora cansado
Viagem longa e o amor que obtive em troca
Pois hoje não é preciso mais do que sua natureza morta
Para a noite sumir sem que dela eu me despeça.


II
O nosso segredo repousa do lado de dentro
Da cápsula do tempo enterrada no quintal 
No silêncio mórbido do hotel num vazio qualquer de domingo
Nas cartas que você escrevia em meio a tanta falta
E o mapa que faz a estrada parecer finita
Hoje o quintal é de concreto
O hotel foi esquecido e seu zunido silente se perde no escuro
As cartas eu não recebi, pois não se sabia de onde vim
E a estrada que resta é somente a minha
Cada dia mais incerta e tortuosa em seus caminhos
E sigo sem saber o porque de tanto seguir.

domingo, 17 de junho de 2012

Céu de maio - Parte II


A nós não cabe prever
O quanto podemos girar esse mundo, as mãos sobre o globo
Devolver o silêncio ao espaço, o que me falta de fôlego
Repousa no caminho de um acaso sem rumo, numa tarde sem volta
Na avenida que entrega sua casa, de rotas estou farto
E, fora de sincronia, acabo me perdendo em datas.
Pertencemos aos dias de flores extraviadas
Onde o inverno foi cancelado, a hora estava errada
E as intenções, desgastas numa descrença doentia.
Me tira do rosto as marcas de lençol num abraço torto
E escreva meu nome nas paredes de seu quarto
A nós restará remover os dilemas toscos e apagar os traços
Do tremor de um frio psicológico que minha sala resfria
E os móveis de dentro estalam
A poesia da ida dos anos e movimento do céu
E do sumiço das placas que me indicaram a estrada
Que me leva ao ponto de onde parado e de malas prontas
Aos poucos eu te perdia de vista
Relutante em aceitar qualquer objeto que me tenha dado de lembrança.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Portão



Por aqui já foi o bastante
Pra deixar essa vida de instante e andar
Aos portões da cidade, e pouco me importa
Se a escada cair lá do alto
Se alguém, por acaso, me achar.


março de 2007