domingo, 17 de junho de 2012

Céu de maio - Parte II


A nós não cabe prever
O quanto podemos girar esse mundo, as mãos sobre o globo
Devolver o silêncio ao espaço, o que me falta de fôlego
Repousa no caminho de um acaso sem rumo, numa tarde sem volta
Na avenida que entrega sua casa, de rotas estou farto
E, fora de sincronia, acabo me perdendo em datas.
Pertencemos aos dias de flores extraviadas
Onde o inverno foi cancelado, a hora estava errada
E as intenções, desgastas numa descrença doentia.
Me tira do rosto as marcas de lençol num abraço torto
E escreva meu nome nas paredes de seu quarto
A nós restará remover os dilemas toscos e apagar os traços
Do tremor de um frio psicológico que minha sala resfria
E os móveis de dentro estalam
A poesia da ida dos anos e movimento do céu
E do sumiço das placas que me indicaram a estrada
Que me leva ao ponto de onde parado e de malas prontas
Aos poucos eu te perdia de vista
Relutante em aceitar qualquer objeto que me tenha dado de lembrança.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Portão



Por aqui já foi o bastante
Pra deixar essa vida de instante e andar
Aos portões da cidade, e pouco me importa
Se a escada cair lá do alto
Se alguém, por acaso, me achar.


março de 2007

Precoce


Trabalhe o tempo que é novo
Olha que o céu é fosco
Vive, que o caminho é longo
Pára, que amor é pouco
E, por mais que se jogue no abismo
Pouco conhece do precipício
Agarra-te a cada vulto
Livre dos impulsos e vícios


Dorme que a noite é curta
Sonha, que o espaço é tão vasto
Calma, que o caminho é longo
E escasso de significados.
(...)


21 de julho de 2008

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cansaço

O que há em mim é, sobretudo, cansaço
De uma viagem longa num sapato apertado
Final de chuva e aquele céu desgasto
Desenhos confusos na parede do quarto.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Azul Marinho

Quem pode nos dizer o que há lá fora
Senão alguns cães latindo um mendigo na porta
O bebê dos vizinhos ainda chora, a lua sorrindo
E um trovão rasga o céu, a chuva que vem vindo
Podia engolir esse azul marinho.


Infeliz em minha tarefa de apontar causas, não importa
Mas se o dia carece de paz, o oposto do espectro é o que resta


E a noite tem sido longa.

20 de Fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sono

Não há perfume que distraia os sentidos
Brisa que distorça a maré e sustente meus vícios
Não há poeira que invente as linhas nos rostos
Nem tampouco aparato que revele os fantasmas nos livros
Ou quem sabe edifício que obstrua a visão do céu
Estampado por baixo de seu guarda-chuva
Só há tempo que cure, desenhos disformes nas nuvens
E um anjo que dorme enquanto eu procuro sem êxito
Sua porta no meio de um muro sem fim


A história enterrada em camadas de tinta,
Revelou-se profunda, porém natimorta
Uma vez que carece de início, contudo ela repousa desperta
Deixe sua porta entreaberta, leve como seu sono é
E a espera será breve.

domingo, 8 de abril de 2012

A garota com os olhos mais tristes

A garota dos olhos mais tristes daqui deseja sair
Encontrar-se com alguém lá fora que pareça sua casa
Deseja apertá-lo num abraço, saudade já morta
Que a leve nos braços em casa e lhe beije ao chegar a porta


Sua mente vagueia, sua febre não arde, resfria
Sua calma observa as luzes que passeiam
Enquanto a cidade adormece em sua pele macia
Te levo daqui um dia, um dia.