quinta-feira, 12 de abril de 2012

Azul Marinho

Quem pode nos dizer o que há lá fora
Senão alguns cães latindo um mendigo na porta
O bebê dos vizinhos ainda chora, a lua sorrindo
E um trovão rasga o céu, a chuva que vem vindo
Podia engolir esse azul marinho.


Infeliz em minha tarefa de apontar causas, não importa
Mas se o dia carece de paz, o oposto do espectro é o que resta


E a noite tem sido longa.

20 de Fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sono

Não há perfume que distraia os sentidos
Brisa que distorça a maré e sustente meus vícios
Não há poeira que invente as linhas nos rostos
Nem tampouco aparato que revele os fantasmas nos livros
Ou quem sabe edifício que obstrua a visão do céu
Estampado por baixo de seu guarda-chuva
Só há tempo que cure, desenhos disformes nas nuvens
E um anjo que dorme enquanto eu procuro sem êxito
Sua porta no meio de um muro sem fim


A história enterrada em camadas de tinta,
Revelou-se profunda, porém natimorta
Uma vez que carece de início, contudo ela repousa desperta
Deixe sua porta entreaberta, leve como seu sono é
E a espera será breve.

domingo, 8 de abril de 2012

A garota com os olhos mais tristes

A garota dos olhos mais tristes daqui deseja sair
Encontrar-se com alguém lá fora que pareça sua casa
Deseja apertá-lo num abraço, saudade já morta
Que a leve nos braços em casa e lhe beije ao chegar a porta


Sua mente vagueia, sua febre não arde, resfria
Sua calma observa as luzes que passeiam
Enquanto a cidade adormece em sua pele macia
Te levo daqui um dia, um dia.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Esquecimento

As linhas infinitas por trás do travesseiro
De um sonho que não quero chamar de meu
A fuga do risco de se tornar um traço
No meio do vasto universo, na cova do esquecimento alheio
Perdido na imensidão do nada que creio
Eu que nem sequer existi até então.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vazio

Tempo que não me distrai
Não há música que sirva tão bem
Quanto a dez anos atrás


Não há lugar para ir senão o lar
Ou chão que nos faça sentir o que temos em comum
O vazio do espaço
O azulejo gelado onde deitado observo o céu e a chuva
Goteiras num teto caindo aos pedaços
E penso nas pessoas que somem.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

19

Lesado de conceitos inúteis e clichês vagos
No meio do caos, esquecido das chaves de casa
Submerso em teorias fúteis e noções ultrapassadas
Verdade é que o jogo acabou, e a lógica é clara:
Eu perco e você se perde
O que tudo nos dizia.


Finge não perceber, esconde seu rosto nas mãos
Parece esse o último adeus, não sei do que se trata
A cada vez que volta a curva é mais tensa
A chuva é mais grossa, a mata mais densa
Só ia esperar dessa vez, 
Mas agora realmente estou indo.

Perigo

Pela desordem que é alma do quarto
E as vozes do sono que implicam comigo
Eu não faria melhor ode.
Pela ausência ao avesso de amigos
O acaso que registro, logo vivo
Relembro, logo paro
As drogas de hoje somente recriam
Um eu que, toda vez que preciso, morro um bocado
A maldita ilusão de que fiz o possível
Prometi viajar para longe, voar alto
E, logo que entrei, me vi na estação
Era eu voltando de não-sei-onde


Você perdeu a razão, me deixe um motivo
Que dessa vazão explosiva eu talvez sare
E nessa explosão evasiva eu talvez fale
Que, de alguma forma eu ainda corro perigo.